sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Eu sei

Oi,

Faz tempo que não venho aqui. Eu sei. Desculpa. É que não é assim tão fácil. As vezes me sinto outra pessoa. Parece que foi há mil vidas atrás que esses textos foram escritos. Quem era essa pessoa? Eu? Não.

Sinceramente nem sei se eu ainda sei o que fazer aqui. Calma. Deixa eu chegar e...

Colocar as chaves em algum lugar que jamais encontrarei.

Tirar os sapatos e as meias, que nunca mais formarão par.

Deixa eu chegar e suspirar apenas. Sentar no sofá, desajeitadamente, enquanto faço absolutamente nada.

Deixa vai?




domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Multidão

Pode ser que cruzar uma multidão seja bom. Como quando é final de copa do mundo e o Brasil é campeão. A multidão pode motivar, principalmente se você estiver participando de uma maratona.

Pode ser que cruzar uma multidão seja ruim. Como quando é um protesto violento. Ou ainda, quando as pessoas estão desesperadas para saírem de onde estão.

A energia prolifera.

O mais interessante da multidão é pensar nela como sendo apenas um único ser. Não é verdade. Imagina que dentro dela se encontram milhares e milhares de vidas. Você nunca conhecerá todos da multidão.

E cada um ali tem sua história.

Não precisa nem reparar em uma multidão, basta pensar nas pessoas ao seu redor. Cada um tem uma vida. Uma história, uma família. Pode ser que sejam felizes, interessados, perigosos ou astutos. Jamais saberemos. Demoramos anos para conhecer uma única pessoa e as vezes, jamais chegamos a conhecer.

A multidão é linda. E quando eu faço parte dela, somos um só. Ninguém ali sabe dos meus medos e de como cheguei ali. E na realidade não importa. Porque no momento em que me torno multidão, eu sou o que somos e nada mais. E quando somos.... nada é impossível.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Depois

Ah. Deixa pra depois.
Você está tão cansada... olha como seu corpo inteiro quer descanso. Apaga a mente. O que é essa sensação tão ruim no peito? Você quer chorar, mas não deixa. As vezes falta um colo, para que se despeça da felicidade de ontem. Ela não vem mais. Você tem o hoje, mas prefere amanhã.

Ele não existe.

Ele não existe.

Você entende?


...

De onde vem esse medo?

...


O amanhã, não existe.




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E não era amor...

Sentou-se na mesma cadeira. Era possível escolher entre várias, mas por algum motivo, sempre escolhia a mesma. Colocou o copo de plástico, com água gelada, em cima da mesa de vidro. O copo suava. O corpo, suava.

Um sorriso falso e nervoso apareceu. Havia carinho entre elas. E um pacto silencioso. Tudo que falariam, seria segredo. Tudo que falam é de extrema importância. E absolutamente secreto. São negócios necessários.

- E aí querida. Como foi?
- Ah, tudo bem. Tudo realmente bem.
- Hmmm!
- Não era ele. Nunca foi ele.

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Só que ela nunca soube quem era ele.
O que ela sabe, é só o que é contado. E nem sempre a outra está disposta a dividir tudo. É totalmente seguro, são trocas de confidências. Mas tem coisas que são absolutamente dela. E ela nunca soube dividir tudo. Sempre houve um silêncio cheio de uma vida que só ela conhecia. Só ela conhecia. Só ela conheceu.

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Esses dias desejei gostar de alguém.
Daí, desejei não sentir absolutamente nada por ninguém, quando achei que estivesse gostando de alguém.
Hoje descobri que não gostei de ninguém, mas gosto do fato de poder gostar de alguém e ainda não gostar.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Bailarina

Percorro suas linhas, histórias e verbos. Gosto de acompanhar sua história. As leio, todos os dias. Você não sabe, mas eu sinto sua tristeza. E seu amor. Não, eu não sinto seu amor. Eu tento entender. E vejo que você é feliz. E eu amo sua felicidade como se fosse a minha.

Você a encontrou.

Confesso que eu não imaginaria que fosse ela. Eu achava que fosse a outra, a primeira. Eu também me apaixonei por ela. Eu a amei, como você a amou. Não. Eu amei você amando ela. O amor de vocês, amor de todos. De repente veio esta outra. A outra. Como pode ter outra? Era ela.

Mas não era. E eu não tinha entendido. E nem deveria entender. Eu não te entendo. Nunca entendi. Só acompanho sua história. E amo seus amores. Hoje eu consigo amá-la. E amo vocês dois. Ela ainda é a outra, mas é amor. Puro amor.

Ela é a sua pessoa certa. Agora eu vejo. Ela é arte. Ela respira arte. Ela é bailarina, ela é vida. Ela é leve. Forte, verdadeira. Eu a amei, quando a vi amar um anjo que passou. Eu nunca vou esquecer. Ela flutua, ela dança, ela é. E eu consigo entender. Eu os amo. Os amo. Que sejam felizes seus 22-11.

sábado, 24 de novembro de 2012

Ausência

Talvez fosse um jardim. 
Talvez fosse outono.
Duas pessoas caminham rumo ao sol.

- Toda vez que venho aqui, é como flutuasse sobre um abismo.
- É, eu sei.
- Você também sente isso?
- Hm, não sei.

Os passos continuam.
Sem pressa. Sem pressa nenhuma.

- As vezes eu nem quero vir aqui.
- Hm...
- O que?
- Nada.

As folhas caem das árvores e dançam conforme o vento as beija. 
É absolutamente maravilhoso.

- ... 
- ...
- Essa falta nunca vai deixar de existir.
- Falta?
- O abismo.
- Mas você flutua.
- As vezes sinto como se tentasse sobreviver a queda.
- Você não flutua. Nem sobrevive.
- Não?
- Não.

Os passos, lentos, ficam ainda mais lentos.
Há chuva em todos os lugares. Até dentro da alma.






quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Observe

Mas ainda bem que não tenho apenas um coração.
Sou dona de vários. Diferentes, intensos e disparados.

Mas ainda bem que eu vivo outras vidas.
Compondo a cada segundo que meus pulmões respiram.

E ainda bem, mesmo, que somos diferentes.
E iguais. Terrivelmente iguais. Mesma espécie, homosapiens.

Ainda bem mesmo, que pelo bem, prossigo.
Nada vai me parar, não desta vez, não dessa vez.