A casa escura.
Um tom azul-marinho contorna alguns móveis.
(Eu gosto de dormir com a janela aberta em noite de lua cheia.)
sábado, 30 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Minha Nossa!
Põe um pouco de mel no teu sorriso,
como quando se morde a polpa de uma fruta.
Sai um dia caminhando pela estrada,
como quem não qué chegá, só caminhá.
E se tivé um rio, se joga dentro dele,
como se o corpo fosse feito de água fresca.
E se a vida doê dentro de ti.
deixa que rebente.
(Carlos Alberto Soffredini)
como quando se morde a polpa de uma fruta.
Sai um dia caminhando pela estrada,
como quem não qué chegá, só caminhá.
E se tivé um rio, se joga dentro dele,
como se o corpo fosse feito de água fresca.
E se a vida doê dentro de ti.
deixa que rebente.
(Carlos Alberto Soffredini)
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sábado, 4 de junho de 2011
Ritmo, acorde e melodia
Ao longe era possível ouvir o som do piano. Um som triste. Quase um lamento. Ninguém conhecia o pianista. Isso não importava. Na verdade, nada nunca importa. E da mesma maneira que chegaram os tristes acordes do piano, ouvia-se agora, a melodia de um metal soproso. O som de duas almas se encontrando. O triste ritmo trazia histórias nos rostos daqueles que observava na avenida. E trouxe também, a história do Sid. Meu pai.
Ele acordava sozinho, todos os dias. Levantava com bom humor e sem nenhum objetivo. Com dificuldade, apoiava suas fracas mãos e vagarosamente rolava para o final da cama. Apoiava um pé no chão e tremendo, o colocava dentro do sapato de borracha, presente sugerido de sua filha. Tateava, com uma tranquilidade que só os idosos conheciam, o colchão a procura de seus óculos. Não conseguia ler sem eles. Na verdade, mal conseguia ler com eles. Aos poucos, levantava-se. Nessas manhãs todas que acordava sozinho, possuia uma felicidade incomum, mesmo que não houvesse alguém para dizer bom dia. São compassos dos homens de 42.
A verdade é que não consigo contar essa história ainda. E nem quero contá-la tão cedo. Um dia, eu sei, terei que contar. Se não eu, ninguém falará. E eu jamais permitiria que essa história não fosse contada. Ainda é cedo. E eu fico grata, por ser cedo.
Os rostos daqueles que caminhavam na avenida, nunca olhavam pra mim. E eu gostava disso. Era como se fosse atemporal. Até meu ritmo ficava mais lento, para acompanhar os leves acordes que narravam minha trajetória. Eu agora, fazia parte de uma poesia e ninguém mais sabia.
Ele acordava sozinho, todos os dias. Levantava com bom humor e sem nenhum objetivo. Com dificuldade, apoiava suas fracas mãos e vagarosamente rolava para o final da cama. Apoiava um pé no chão e tremendo, o colocava dentro do sapato de borracha, presente sugerido de sua filha. Tateava, com uma tranquilidade que só os idosos conheciam, o colchão a procura de seus óculos. Não conseguia ler sem eles. Na verdade, mal conseguia ler com eles. Aos poucos, levantava-se. Nessas manhãs todas que acordava sozinho, possuia uma felicidade incomum, mesmo que não houvesse alguém para dizer bom dia. São compassos dos homens de 42.
A verdade é que não consigo contar essa história ainda. E nem quero contá-la tão cedo. Um dia, eu sei, terei que contar. Se não eu, ninguém falará. E eu jamais permitiria que essa história não fosse contada. Ainda é cedo. E eu fico grata, por ser cedo.
Os rostos daqueles que caminhavam na avenida, nunca olhavam pra mim. E eu gostava disso. Era como se fosse atemporal. Até meu ritmo ficava mais lento, para acompanhar os leves acordes que narravam minha trajetória. Eu agora, fazia parte de uma poesia e ninguém mais sabia.
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domingo, 24 de abril de 2011
No entardecer do amor
- Dias cinzas, nublados e frios, como hoje, me inspiram. Sabia, né?
Penélope sorriu sem felicidade. Observava o horizonte, deliciando-se com as possibilidades do sentir. Crescia uma explosão de sentimentos que mergulhava nas profundezas dos seus assuntos inacabados. Todos os seus quereres, naquela fração de lucidez, devoravam a inércia de suas não-atitudes. Marcelo não respondeu sua pergunta. Seu silêncio era expressivo e ele continuava ali, apenas por curiosidade.
Durante algum tempo continuaram em silêncio, observando as probabilidades interiores. Penélope abraçou suas pernas, encostou sua cabeça em seus joelhos e mordeu os lábios. Marcelo quis abraçá-la, mas sua timidez não permitiu. Então, incomodado com sua própria falta de ser, mudou de posição. Seria uma linda fotografia aos transeuntes, mas não havia ninguém ali.
- Que vento bom...
E era mesmo. Ventava suave, quase como uma brisa. A verdade é que ventava sempre. O que sentiam não era tristeza e tão pouco amor. Era outra coisa que transforma silêncio em incomodo. E, como deveria ser, num impulso, Marcelo foi embora. Penélope continuou na imensidão de seus interiores, controlando seus quereres e sorrindo sem felicidade. Mudou de posição e agora estava em lótus. Vinda de longe, uma bela melodia chegava aos seus ouvidos.
Sing me to sleep...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Para Ella
(...) A vida ensina coisas de uma maneira tão particular. Hoje aprendi algo tão simples e tão verdadeiro. Tudo aquilo que inspira, fatalmente, expirará transformado. É químico, físico e metafórico. Eu gosto de inspirar suas palavras, Ella. E queria poder agradecer todos os caracteres que li, criados por você. Um impulso mental transformou suas palavras em sentimentos meus. Tranqüilidade minha. Sorrisos nossos. Como ying e yang, nos impulsionamos. Não sei dizer o que é isso, mas transborda qualquer coisa que possamos explicar. Penso na nossa história e um sorriso invade meu rosto. Queria estar mais perto, queria ser mais certo. Quereres. Queremos tanto. Tanto. Esse tanto é que inspira, incomoda e transforma. Tudo aquilo que fascina, de alguma maneira, faz sentido. Um sentido que ninguém busca, a estrada que ninguém escolheu. O acaso. A inquietude colossal das nossas almas (...)
Ah, Ella!
Inspiro-te.
Inspira-me.
Nossa amizade. Esse bem, essa nossa riqueza, esse tesouro.
Amo você, Ella.
Amo você.
Ah, Ella!
Inspiro-te.
Inspira-me.
Nossa amizade. Esse bem, essa nossa riqueza, esse tesouro.
Amo você, Ella.
Amo você.
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Inspiração
Sentada na pedra fria estava a bailarina de ventos temporais. Ela balançava seus pés como se dançasse. Aquelas tardes eram suas, sentindo a garoa que soprava vibrantes notas musicais. Alguns disseram que rezava observando a rebeldia das ondas marítimas. Lentamente, inclinou seu corpo e trouxe suas pernas junto a si, em posição de lótus. Tomou todo o tempo pra si, fechando os olhos e expandindo seus lábios num sorriso gentil. Muito tempo passou e nada aconteceu. Alguns outros disseram que meditava, experimentando a suavidade dos ventos chuvosos. Sua serenidade era magnitude dos inquietos.
A verdade é que era livre.
LIVRE!
A verdade é que era livre.
LIVRE!
sábado, 12 de março de 2011
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