Vivo tudo tão medido. Não há tempo para um café, um beijo. Não posso sair tão tarde, nem tão cedo. Esse final de semana está cheio, o outro também. É que eu tenho que, eu tenho que... estar em outro lugar. Obrigada, adoraria em um outro dia. É, deixa para a próxima. Não, não, eu quero ir, mas não posso. Ou talvez consiga, se corresse. Se morresse.
De manhã, não quero acordar. Não quero tomar banho, lavar o rosto, cabelo e corpo. Não quero comer nada, mas sinto fome. Preferia ir a pé do que de carro. Desejaria estar em outro lugar, menos no caminho. Não quero ver ninguém, nem dar bom dia. Espero que o elevador esteja vazio. Quero dormir novamente, o dia não passa. Não quero ir ao curso, mas amo todas aquelas matérias. Detesto chegar tão tarde, me dá até pânico e medo da rua. Não quero ir para casa. Nem dormir. Tenho medo de não escutar você me chamar.
Não quero mais percorrer entre esses fios rígidos e secos. Onde será o fim? Como será? Eu não me importo mais. Não acredito mais no amanhã. A fé, morreu. A inércia sustenta um falso sorriso, moldado pelas regras da sociedade. E se encontro meu amor, minha admiração, minha felicidade... quero partir. Não tenho assunto. Estou oca.
Não quero te fazer infeliz, mas não sei mais sorrir.
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