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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Adeus é como quando a chuva seca percorre os caminhos mudo


(Este é um texto de despedida).
Sinceramente espero que ele não o encontre. Porém, caso encontre, espero que guarde com carinho.

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Eu te disse, sem você, não sou nem um por cento de mim. Sempre é tão difícil dizer adeus. Ainda mais quando sei você continuará por aí, tão vivo. Mas é preciso. Viveria uma vida inteira ao seu lado. E eu o amo tanto assim, a ponto de deixá-lo, apenas na esperança de saber que você será muito feliz. Bem longe. E quer saber? Não há outra maneira, você será pai e provavelmente, casará. Talvez eu tenha confiado demais no destino. E esperado demais. Agora sua estrada já está definida e o que me resta é conhecer meu caminho. Minha vontade é ficar, mas não faço parte dessa história.

Ontem vi um rapaz segurando sua filha. E me lembrou de você. Foi como se visse a lembrança do seu futuro. Eu sei que você vai ser muito feliz. Eu sei que será.

Nosso tempo passou. Enquanto para você, fui apenas brisa, aqui você devastou o meu universo inteiro. Eu te amo. Sempre te amei e sempre amarei. Vou te levar dentro da alma.

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Você disse: "Eu lembro tão pouco de você”.

Ah, mas eu lembro tudo sobre você.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

O violão e azaléia

Tons verdes, cinzas e vermelhos noturnos pincelavam o horizonte. Feito jabuticaba, o brilho das esferas continua límpido como lua cheia. É dia de sol, mas dessa historia, a brisa é apenas observadora.


Um violão de cordas sonhadoras apaixonou-se pelo som doce de uma azaléia-cor-maçã. Voando sentimentos, teceu notas inúmeras em partituras venha-si-mi-sol. Tão suas e tão íntimas que as vezes confundiam-se com um singelo chorar de moda. Dias passaram, meses e anos. Em todas as oportunidades de estarem próximos, deixou que insegurança fosse sorriso em seu rosto. Tolo violão, as cordas gastas tornam ainda mais interessante sua melodia. Pena que ele não saiba. E nem ela. Durante as noites, faz serenata sonhando todos os mundos perfeitos. E a lua observa em silêncio o adormecer de suas cordas. 


Azaléia-cor-maçã está em outra sintonia. Dispersa no desconhecido paralelo vosso. Ninguém sabe decifrá-la e seu mistério a torna ainda mais interessante. Quando, no sexto refrão da décima melodia, decidiu presenteá-la com sua mais honesta canção. Um sorriso e só. Esperou um beijo e um nada também. Lá, em mi maior, com suas cordas desprendidas flutuou e Azáleia-cor-maçã não dançou. Ninguém a decifrou. E a melodia do violão voador continuou intensificado, como aquarela em dia de banho de chuva. Descoloriu, borrou e se libertou.


Sentado na última estrofe, com cadernos tortos na mão, está o violão libertado. Algumas cordas quebradas, levemente opaco e absorto em música. O coração bate dois tempos acelerado, participando de uma transe coletiva. Amarelo, cinza e preto do céu nebuloso carrega sorrisos amigos, esquecidos na suavidade da chuva interior. E os assovios de feições conhecidas aguardam a melodia do violão aprendiz retornar. Repleto de amor, de si e de vôos.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Alguns dos meus...

Serão confidenciados para alguém. Pequenos tesouros que num passar de segundo tornar-se-ão, tolices. As lembranças que guardo em mim, farão meu coração contorcer de saudades daqui alguns anos. E como diz na música, aprenderei com meus passos. Tormentos coletivos da vida.
Quantas vezes não desejei congelar o relógio da vida, torná-lo mais lento, paralisá-lo. Olho para os meus e descubro um furto seu. Não sorrio. Ainda. É porque há um pouco de você por aqui. Chegou em uma tarde ordinária, patética e cinza. É meu sol, minha lua e minha brisa. É seu.

Honestamente eu imagino que você saiba. E agora, você também sabe que eu sei. E estamos bem. Gosto da sua maneira de lidar com os meus. Sei que eles chegaram pelos ventos instáveis das chuvas de verão. Cheias de intenções, mas passageiras. Não as culpo. E nem poderia, elas fazem parte da natureza. É porque há um pouco de mim, em você. E tudo bem. Eu sei também que aquilo que você sabe vem dos seus, mais do que dos deles. Somos iguais. Temos um pouco dos outros em nós. Queria que você tivesse os seus respeitados, como os meus são, por você. Eu gosto do jeito que você compartilha os seus. Eu simplesmente gosto de você.

Esses são meus pequenos, um futuro passado.